Os resultados do estudo foram tão prometedores que o Instituto
norte-americano do Envelhecimento tenciona repeti-lo, desta vez com
macacos, disse o director da instituição, Richard Hodes. O cientista
sublinhou no entanto que as pessoas com problemas de peso ou diabetes
não devem começar a tomar suplementos de resveratrol sem controlo
médico, uma vez que ainda não foram testadas todas as questões
relacionadas com a segurança.
Uma equipe de pesquisadores da
universidade inglesa de Newcastle upon Tyne fará uma experiência com uma
substância encontrada no vinho tinto e associada à longevidade num
grupo de pacientes que sofrem de um transtorno genético progressivo e
potencialmente fatal.
As 30 pacientes que farão parte do
teste possuem a chamada síndrome Melas (encefalopatia mitocondrial,
acidose lática, e episódios de AVC), que atinge as mitocôndrias. Os
pacientes normalmente desenvolvem primeiro um tipo de diabetes, mas os
efeitos da doença podem afetar o corpo inteiro.
"O problema é que não conseguem
transformar comida em energia, o que afeta o cérebro, o coração e os
músculos do corpo", afirma Patrick Chinnery, professor de neurogenética
da universidade, citado pelo jornal inglês "The Times".
Em 15 das 30 pacientes será
administrada uma versão do resveratrol, substância encontrada no vinho
tinto, chamada SRT501, enquanto o resto receberá um placebo. Essa versão
mais potente foi desenvolvida pelo laboratório Sirtris Pharmaceuticals,
de Cambridge (Massachusetts, EUA), graças aos trabalhos do cientista
David Sinclair, da Universidade Harvard, que descobriu que o resveratrol
ativa o gene associado à longevidade humana, o SIRTI.
Nas experiências realizadas com ratos
de laboratório, foi provado que o SRT501 reduz a obesidade e os níveis
de glicose em animais expostos a uma dieta rica em calorias e que,
combinado com outros remédios contra diabetes, como o Metformin,
amplifica sua ação.
O mais surpreendente é que também eleva
a capacidade de correr e a resistência dos ratos, tornando-os
verdadeiros atletas. O motivo é que a substância aumenta a produção de
mitocôndrias, responsáveis por gerar energia nas células, amplificando a
potência muscular.
O objetivo da experiência feita em
Newcastle upon Tyne é verificar, por meio de imagens obtidas por
ressonância magnética e biópsias musculares, se nos pacientes humanos
tratados com o SRT501 a produção de mitocôndrias também se multiplica.
Os testes também medirão a força dos músculos e a capacidade de
resistência dos doentes.
Suspeita-se ainda que as mitocôndrias
poderiam estar associados com a diabetes. Na Índia, inclusive, já está
sendo realizada uma experiência com o SRT501 para estabelecer sua
eficácia contra essa doença.
Esta e outras versões muito mais
potentes do resveratrol, atualmente em fase de testes, se baseiam nas
últimas pesquisas que indicam que todas as espécies animais vivem mais
anos graças a uma dieta de restrição de calorias.
Toda vez que a alimentação estiver
correta, um corte de 40% do consumo de calorias aumenta em 50% ou mais a
expectativa de vida dos ratos e de outros animais de laboratório.
Nas experiências feitas por Sinclair e
outros cientistas de Harvard com cobaias, entre eles Joseph Baur, foi
comprovado que os efeitos negativos de uma dieta rica em calorias podem
entrar em oposição com o resveratrol.
Isto, no entanto, não ocorreu nos ratos
que não tinham o gene SIRTI, fazendo com que os especialistas deduzissem
que este gene controlava todo o processo.
Os trabalhos posteriores demonstraram
que o resveratrol ativa especificamente este gene, o que talvez explica
os motivos pelos quais o vinho tinto, consumido com moderação,
supostamente teria efeitos saudáveis e poderia, em alguns casos, até
prolongar a vida.
Slide elucidativo sobre o resveratrol e os benefícios da uva na nossa saúde. - 970
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